na tampa da garrafa submersa

no homem que martela a jangada

no brilho do sol que acaricia a água

nas nuvens do céu esfumaçado

 

estou igualmente em cada mesa e cadeira lá longe

empilhadas, inconformadas, resignadas

na buzina do carro que passou

no silencioso trio de cocos vazios

 

estou no sol do horizonte, prestes a sumir

nas velas de todas as jangadas, desnorteadas

no fim de tarde que chega, em abraço

no vento inaudível que beija meus ouvidos

 

estou na modorra da água que me limpa os pés

n’algum lugar entre a madeira desta mesa

quiçá nas nuvens perdidas além-mar

jamais nesta cadeira. Aqui, jamais estive

 

Anúncios