5:11.Noite desastre, loucura de horas que não se viram passar. Noite sem fim, acaba no raio de sol. Mergulhei afundei, entrei em limites de mim desconhecidos, abertos no estalar de improváveis ideias vindas da Ponta da tesoura dobrar do dedo cola papel e a música, já não sequer sabia qual era.
Senti parecer processar em poucas horas o que não processei ao longo de dia, como que encontrasse o incentivo a usar, fosse aquele o dito caminho, vai segue encontra o que fazer, sem muito esforço faço. Ora não vejo o esforço, a hora não cabe em mim, perco controle razão, somente a ideia ferve, quer se realizar, agora com maior intensidade, um milhão de foguetes cortando ceú, e me deixando surdez continua, escoada por cada pedaço de recorte, cada palavra órgão, compondo o tecido deste novo ser. Desbota de mim a vida vivida em marasmo por todo o dia, acende algo que não sei explicar, algo que desliga a cabeça do real, ativa zonas nalgum subterfúgio só acendidas nessas ocasiões.
E o outro vai viajar. Provável que todo esforço de nada valha, que se tenha de esperar tempo, tudo se guarde na gaveta entreaberta. Gaveta que segue aberta, vazia de riscos, risco só de não fechar. Sonho pode ser guardado, espera, sabe esperar. foi iniciado, sofre, fez sofrer. Castigou mesmo, como de cara já faz. Criar sofrer, dor, desespero, descontrole, é perder mais do que ganhar, infinitos caminhos do mundo, escolhe-se um, abandona-se todos.
Mesmo quando paro, a coisa não para, vem, continua, pressiona, inquieta, gruda nalma, posso ver talvez minha alma, nítida, nesse clarão incontido de cabeça aberta. Falta ar, dói olho cabeça peito, mas não sinto tanto cansaço físico, a mente porém parece fragmentada, partida, lacerada, andei 500km nela em uma noite, um viagem, várias viagens, fui voltei fui voltei, fui, continuo indo, agora de novo. Não consigo encontrar calma para lidar com o impulso resultado deste estímulo, chama que arde, inibe quase fome e sede, inibe minha condição, humana, apossa-se da vida, a própria vida, vestida da vastidão do branco do papel.
Recortes, recorta, preto. Muito preto. A próxima parada será curva, e preta.
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Risco, traço, desfaço. Essa não, me dê outra. Pode deixar, testo aqui no caderno. É outro efeito. A vendedora guarda o papel riscado de outros clientes, olha curiosa. É que tem umas que escrevem bem na hora, mas depois engasgam. Essa é mais forte, tá vendo? É pouca diferença. Tem aquela lá, a ultra fine? Só preta? Ah, não, essa outra aí já levei uma vez, na primeira riscada é maravilha mas depois… Separei as que levaria a um canto, seguindo o teste das outras. O balcão cheio, repleto de munição. O efeito, a gente tem que ver a tinta, o preto azul o que for.
Eu já experimentei essa na sua mão?